SOBRE A PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO DA REDUÇÃO DA ESCALA 6X1
Entendo que este debate vem sendo travado há muito mais tempo do que se imagina, sobretudo pelos grupos de trabalhadores organizados. Contudo, é retratado pela mídia como se fosse algo recente, como se tal proposta tivesse surgido espontaneamente. Evidentemente, não é o caso. Trata-se, muito provavelmente, de uma discussão e uma luta histórica dos trabalhadores. Em diversos países considerados de primeiro mundo, esse tema já foi amplamente debatido. No Canadá, por exemplo, a carga horária semanal é de 36 horas. No Brasil, porém, a realidade é diferente: as classes dominantes evitam dar visibilidade às lutas dos trabalhadores, fazendo-o apenas quando já não é mais possível esconder ou manipular a opinião pública.
Ao refletir sobre essa questão, lembrei-me de quando meu pai trabalhava sob uma escala semelhante. Eu deveria ter entre 7 e 9 anos. Meu pai atuava como técnico de refrigeração em um hotel. Recordo-me de esperar acordado para vê-lo chegar do trabalho, pois, se adormecesse, não teria a oportunidade de encontrá-lo pela manhã, já que ele sairia para o trabalho antes de eu acordar. Em muitas dessas noites, acabei dormindo com a coberta que ele usava. Queria sentir que meu pai estava presente. Quantas crianças não vivenciaram algo semelhante?
Hoje, na maturidade, consigo reconhecer todo o esforço que meu pai empreendia para, mesmo enfrentando as extenuantes jornadas da escala de trabalho, encontrar forças para dedicar algum tempo a brincar comigo, em momentos que poderia estar descansando. Quantos pais brasileiros, no entanto, sucumbem ao esgotamento total e não conseguem dedicar atenção aos filhos? Ao relembrar essas experiências, sinto uma profunda gratidão por ter o pai que tenho. Almejo, em algum momento da minha vida, atingir a grandeza que ele demonstra.
É imperativo que a escala 6x1 seja abolida para evitar que as famílias brasileiras continuem sendo desestruturadas por uma lógica capitalista que privilegia unicamente o lucro dos empregadores em detrimento dos trabalhadores. Não faz sentido, no contexto de tantas tecnologias desenvolvidas, explorar recursos naturais e humanos sem que essas inovações contribuam para a redução do trabalho extenuante. A humanidade, com o avanço tecnológico de que dispõe, deveria estar trabalhando menos, e não sendo ainda mais explorada por uma burguesia que se beneficia da força de trabalho alheia.
Olá meu amigo, excelente reflexão sobre o assunto. Parabéns pela abordagem tão assertiva e por colocar um exemplo real e comovedor. Saudades de ti, um abraço.
ResponderExcluirObrigado pela leitura e por comentar, meu amigo! Abraço!
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